25 de abril de 2016

 

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25 de abril de 2016

Atendendo ao facto de estarmos no decorrer de um período muito conturbado e difícil a nível internacional, nacional e local, consideramos muito importante perceber qual é o verdadeiro papel do PS nas decisões políticas concelhias e, por isso, decidimos intervir com este pequeno contributo.

Efetivamente, estão a acontecer grandes transformações que importam ser permanentemente discutidas por todos nós, para atuarmos de uma forma estrategicamente correta e não perdermos as forças com as mesmas ações, para alcançarmos os resultados habituais e cinicamente previsíveis.

Assim, ao nível internacional estão a verificar-se situações que não esperávamos como são por exemplo: a) a crise política escandalosa no Brasil; b) o bloqueio político em Espanha; c) a confusão generalizada na Venezuela; d) a viragem à direita e extrema-direita de uma forma generalizada na Europa, com o ponto supremo do resultado nas eleições presidenciais na Áustria; e) a personagem inqualificável de Donald Trump como candidato republicano nas eleições nos EUA; f) a vinda de milhares de emigrantes para a Europa, provocada por situações de rotura social e política inimaginável em vários países. Consideramos, até curiosa e fantástica a situação de uma personalidade política personagem como a Srª. Merkel, poder vir a ser considerada, por nós, como uma grande democrata e uma humanista exemplar na defesa dos direitos humanos, tendo em conta a recente ascensão do novo partido de extrema-direita “Alternativa para a Alemanha”.

Esta situação ainda se torna mais importante, quando se verifica que ao nível europeu, se está a desmantelar o respeito pela vida humana, com todos os perigos inerentes. Começamos a sentir, bem perto de nós, a sombra de uma nuvem com uma ameaça iminente.

Ao nível nacional é importante perceber que a constituição do atual Governo do PS, apoiado por uma maioria de esquerda, é fundamental para a garantia de muitos dos valores que conquistámos após o 25 de Abril. Se não tivermos cuidado estes poderão perder-se implacavelmente e irão concerteza estar à prova muito brevemente na aprovação do Orçamento de Estado de 2017.

A nível local verificamos que a situação é idêntica à existente nos anos anteriores, com um cenário político de bloqueio e o crescimento progressivo de um certo autismo político, disfarçado com pequenas nuances de abertura e participação a muito custo de outras forças partidárias em alguns assuntos, para poder vir a ser utilizada unicamente como propaganda partidária.

Mas se pedirmos para se efetuar uma comparação com o que se passava antes de 1974, facilmente diremos que estamos agora melhor. Há liberdade de expressão, há mais respeito pelos direitos das pessoas, até na sua diversidade, existem melhorias ao nível da Saúde e na Segurança Social, registou-se a necessária massificação da Educação, melhoraram as vias de comunicação a todos os níveis, etc . Mas será que os valores emanados do 25 de Abril ainda persistem e são praticados? Será que os jovens sabem quais são, entendem o seu significado, a necessidade da sua discussão e a sua defesa nas mais diferentes situações da sua vida?

Na formulação da resposta temos muitas dúvidas, daí crescer em nós a necessidade urgente de aumentar a responsabilidade dos Socialistas, como elementos de vanguarda, numa altura em que estávamos a pensar em descansar de tantas lutas de tantos anos. É que ainda há muito por fazer, porque o nosso país continua a registar acentuadas desigualdades sociais, precisamos de defender o SNS e a Escola Pública e lutar pela igualdade de tratamento dos cidadãos perante a justiça.

E o lado crítico de toda esta situação é que atualmente temos menos certezas da existência dos grandes valores do 25 de Abril do que tínhamos em 2004/5/6, por exemplo. Esta afirmação parece mentira, mas infelizmente todos nós constatamos que é assim, é cada vez mais uma verdade.

É que a importância do 25 de abril consistiu no grande alcance e duração das mudanças conquistadas, como a transição para uma democracia representativa, que temos de continuar a defender passados 42 anos, persistentemente e com mais imaginação.

Bem como em relação ao 16 de Março de 1974, que por proposta do PS na AMCR sugerimos a criação e implementação de um Centro de Interpretação como uma verdadeira marca das Caldas da Rainha, porque foi um acontecimento que veio ter repercussão ao nível internacional, tendo influência em muitos países e na vida de milhares de pessoas, mas que mereceu o mesmo tratamento de muitas outras propostas nossas: a gaveta das coisas esquecidas.

Por isso, as comemorações do 25 de Abril não podem ser, agora, só um festejo de um facto histórico, mas sim um marco de luta no presente e futuro, do que ainda precisa de se cumprir para tornar Portugal um país mais justo e desenvolvido.

Tal como em 1972/03/04 se sentia que estávamos na véspera de algo importante, também, agora se percebe que a rotura está iminente. Os Socialistas têm de ser atores neste processo e não simples espetadores conhecedores de eventos com o sabor da nostalgia. Os Socialistas devem ser defensores marcantes da exaltação dos valores do Estado Social.

É por isso que, se todos nós tivermos um objetivo bem definido, soubermos fazer a leitura correta da situação ao nível local e conseguirmos encontrar uma estratégia bem estudada, calculada, consensual, equilibrada e de compromisso plural, obteremos certamente um resultado diferente daquele que foi obtido ao longo dos últimos 30 anos nas Caldas da Rainha. Se se quiser fazer algo que mude o rumo do concelho para melhor, que todos reclamamos e desejamos há muito, tem de haver bastante humildade política, um forte consenso e o estabelecimento de um compromisso na construção de uma alternativa credível à maioria instalada. É por tudo isto e muito mais que é preciso comemorar o 25 de Abril e reafirmar como nunca o valor simbólico da frase “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais”.

25 de Abril de 2016, Caldas da Rainha
Os membros do PS na Assembleia Municipal

 

(Manuel Nunes)    (Jaime Neto)  (Luísa Barbosa)  (José Abegão)  (Pedro Seixas)  (Conceição Paramos)

 

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