Intervenção política sobre a “Estratégia e Plano de Ação da Marca Caldas da Rainha“

O Grupo Municipal do Partido Socialista, constituído por Jaime NetoPedro Seixas e Vânia Almeida, fez uma intervenção política através do seu porta-voz e coordenador sobre a proposta de “Estratégia e Plano de Ação da Marca Caldas da Rainha“:

  • Estratégia e Plano de Ação da Marca Caldas da Rainha
    • Em nome do Grupo Municipal do Partido Socialista, e tal como na apresentação do Plano anterior, eu começo naturalmente por saudar os  autores do trabalho desenvolvido, do Grupo CH 
    • Eu não quero entrar em polémicas logo no início da minha intervenção, mas de facto, na minha opinião, “As cidades não são marcas. Podem conter marcas“, o  que é uma coisa diferente, como aliás afirma Conrad Llorens, Chefe Executivo ou, em jargão anglo-saxónico, CEO da Summa Branding, uma prestigiada consultora espanhola de marketing
    • Permitam-me que vos traga aqui uma informação pessoal: hoje é o dia do meu aniversário e, por isso, trago aqui um pacote de Beijinhos das Caldas para oferecer às Senhoras e Senhores membros desta Assembleia Municipal, um produto da doçaria local que, a par das Cavacas das Caldas, são um Ex-libris da nossa cidade e concelho
    • E, já agora, aproveito para referir que os Beijinhos das Caldas, tal como as Cavacas das Caldas merecem que o nosso Município promova as ações políticas necessárias para a sua certificação europeia como Especialidade Tradicional Garantida (ETG), valorizando e promovendo este produto gastronómico de identidade local
    • De facto, em todas as feiras do nosso Portugal e há mais de um século encontramos sempre à venda as nossas Cavacas das Caldas, um Ex-libris da nossa cultura e identidade local 
    • Por isso é justo que se tomem as medidas e ações políticas necessárias para a sua valorização e promoção, nomeadamente a sua certificação como Especialidade Tradicional Garantida (ETG)
    • Relembrar a este propósito que as Caldas da Rainha receberam verbas europeias para a construção do edifício dos produtos regionais mas que, até agora, não tem sido desenvolvido nenhum trabalho nem investimento para a promoção dos nossos produtos regionais, o que é uma lacuna política evidente que importa colmatar
    • O edifício dos produtos regionais servia, no mandato autárquico anterior, como espaço de instalação da Divisão de Planeamento Urbanístico e serve neste mandato como instalação dos serviços de Ação Social da Câmara Municipal, mas, de facto, não tem servido para a promoção dos nossos produtos regionais, que era a funcionalidade para que foi construído e estava destinado
    • Temos por isso o dever de certificar os nossos produtos regionais
    • Deixo este repto para este executivo e para o próximo para desencadear as ações políticas necessárias para certificar as Cavacas das Caldas como Especialidade Tradicional Garantida (ETG) e também para certificar as Cebolas de Alvorninha e Landal como Indicação Geográfica protegida (IGP)
    • Encontramos as Cebolas de Alvorninha e Landal à venda na Feira da Cebola de Rio Maior, quando elas, de facto, são das Caldas da Rainha
    • As Cavacas das Caldas são uma marca, as cebolas de Alvorninha e do Landal são uma marca das Caldas,  Bordallo Pinheiro é uma marca, Maria dos Cacos é uma marca, Manuel Mafra é uma marca, Hansi Stael é uma marca, Ferreira da Silva é uma marca, João Almeida é uma marca, o Parque D. Carlos I é uma marca, a Mata Rainha Dª Leonor é uma marca, a empresa TransWhite é uma marca, a empresa TeQuever é uma marca, o Festival da Codorniz é uma marca, o Festival da Lagoa poderá também vir a ser  futuramente uma marca
    • Mas, na minha opinião, as Caldas da Rainha não são uma marca, contêm sim muitas marcas, muitos recursos endógenos, pessoas, empresas e instituições em permanente dinâmica e transformação
    • As cidades querem ser inconfundíveis, mas a mercantilização, isto é, equiparar uma cidade e um concelho a um produto comercial,  apaga os traços distintivos, ao mesmo tempo que implica uma simplificação da comunicação que se torna redutora e alheia às permanentes dinâmicas económicas e sociais dos seus habitantes.
    • Até Richard Florida ou Charles Landry, rostos do conceito “cidade criativa” que se tornou dominante nos processos de revitalização urbana de muitas metrópoles e cidades ocidentais desde a década de 1990, se tornaram cautelosos ou mesmo críticos quando hoje se fala de “marca de uma cidade” e noções semelhantes.
    • O geógrafo espanhol Oriol Nel-lo escreveu no seu livro “A Cidade em Movimento – Crise Social e Responsabilidade Cidadã” que existem diversos problemas com esta lógica de competitividade territorial.
      • Em primeiro lugar é necessário interrogarmo-nos se quem está a competir são as cidades, ou os portadores de interesses económicos que neles estão radicados, sem que daí advenha melhoria nas condições de vida para muitos outros grupos sociais
      • A promoção de um ambiente sedutor como uma marca pode acontecer à custa da precarização do trabalho, de redução dos impostos das empresas, mas com transferência da carga fiscal para os rendimentos de trabalho
      • Permitam-me citar uma frase de Richard Florida “Na era da criatividade, é necessário despertar o potencial criativo de todos
      • As cidades querem ser inconfundíveis, mas a mercantilização apaga os traços distintivos, ao mesmo tempo que implica uma simplificação da comunicação.
      • Se existe algo que define a cidade é a noção de permanente movimento, de permanente mudança. 
      • A redução de uma cidade e um concelho a uma imagem estável não só lhe elimina a complexidade, como fixa apenas alguns traços, tornando invisíveis os seus processos dinâmicos, muitas vezes imperceptíveis mas constantes.
      • Reduzir uma cidade e um concelho a um rótulo destinado à sua promoção é perigoso porque os rótulos colam-se á pele
      • Afirmar que as Caldas da Rainha “(…) são um centro comercial a céu aberto“, como foi repetidamente afirmado nas 2 décadas anteriores, levou a que a cidade e o concelho entrassem em crise depois da crise financeira do subprime e da quebra de rendimentos da população portuguesa na década passada
      • Por isso, temos de ter muito cuidado com os rótulos, com os slogans que criamos, porque os rótulos e os slogans colam-se à pele
      • A redução de uma cidade e um concelho a uma imagem estável talvez ajude à sua comercialização, mas também contribui para que olhemos cada vez mais para elas como meros consumidores e não como um espaço territorial com cidadãos dinâmicos em permanente transformação
      • Tudo o que não se adequa à marca que se pretende criar – bairros, ruas, actividades, pessoas – é cuidadosamente esquecido 
      • Escondem-se contradições, arestas, complexidades. 
      • De tanto as reduzirmos a uma só possibilidade, por vezes tornam-se indecifráveis a quem nelas habita.
      • Por isso, não podemos deixar de agradecer o trabalho de sistematização e identificação dos nossos ativos e recursos  endógenos desenvolvido pelos autores deste Plano, mas não podemos deixar de sublinhar a nossa convicção política que as Caldas da Rainha não são uma marca fixa e imutável, nem entendemos que tal seja desejável, as Caldas da Rainha contêm sim muitas marcas, em permanente dinâmica e transformação
      • Para terminar, referir que nós os atores políticos temos o dever de acarinhar as marcas existentes e valorizar e promover a criação de novas marcas, a todos os níveis da nossa base económica, social e cultural
      • As Caldas da Rainha são uma cidade e um concelho da Saúde, do Bem-estar e da Criatividade e são estes 3 valores que nos devem orientar nas nossas opções políticas de desenvolvimento económico e social

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